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Glamsterdam: a nova atualização da Ethereum

07/10/2026 12:16

Glamsterdam: a nova atualização da Ethereum

A 6 de outubro de 2026, a Ethereum ativou a atualização Glamsterdam na testnet Sepolia. Apresentamos um resumo das principais alterações, do ePBS e do processamento paralelo de transações à maior capacidade dos blocos, e explicamos se quem detém ETH precisa de fazer alguma coisa.

A 6 de outubro de 2026, a Ethereum ativou a atualização Glamsterdam na testnet Sepolia.

Trata-se do próximo grande hard fork da rede, que altera a forma como os blocos são construídos, verificados e tarifados. Na rede principal (mainnet), a Glamsterdam ainda não foi ativada e, por enquanto, não há uma data oficialmente confirmada.

A seguir, explicamos o que a Glamsterdam traz, porque é importante para a escalabilidade da Ethereum e se quem detém ETH precisa de fazer alguma coisa.

O que é a Glamsterdam e de onde vem o nome?

A Glamsterdam é a próxima grande atualização da Ethereum depois da Fusaka, que foi ativada na mainnet em dezembro de 2025.

O nome junta os nomes de duas atualizações ativadas em simultâneo: Amsterdam, para a camada de execução (execution layer), que deve o nome a uma das anteriores sedes da conferência Devcon, e Gloas, para a camada de consenso (consensus layer), que deve o nome a uma estrela.

Trata-se de um hard fork, ou seja, de uma alteração às regras do protocolo que todos os nós têm de adotar no mesmo momento. Um nó que não atualize o software deixa de seguir a cadeia principal da Ethereum.

Ao contrário de algumas atualizações anteriores, a Glamsterdam não introduz alterações visíveis para os utilizadores finais. O seu foco é o escalonamento estrutural da camada 1 (layer 1): a forma como os blocos são construídos, propagados e processados.

As principais alterações trazidas pela Glamsterdam

A Glamsterdam é composta por um conjunto de propostas de melhoria da Ethereum (Ethereum Improvement Proposals, EIP), 15 das quais dizem respeito à camada de execução. Três alterações são as mais importantes para compreender a atualização.

Enshrined Proposer-Builder Separation (ePBS, EIP-7732)

Atualmente, na Ethereum, o bloco é normalmente montado por um construtor especializado (builder), e o validador que o propõe à rede (proposer) recebe-o através de intermediários externos, os chamados relays. Este acordo acontece fora do próprio protocolo.

O ePBS integra esta separação diretamente nas regras do protocolo. Os compromissos do builder, a publicação do conteúdo do bloco e o pagamento ao proposer passam a fazer parte do processo de consenso. Além disso, a validação do consenso é separada da validação da execução, o que dá aos validadores mais tempo para verificar o conteúdo do bloco.

Block-Level Access Lists (BAL, EIP-7928)

As Block-Level Access Lists são listas que registam antecipadamente as contas e os dados a que as transações de um bloco acedem. Quando um nó sabe o que cada transação toca, pode processar várias transações em paralelo em vez de uma de cada vez. Esta mesma alteração deverá também acelerar a sincronização de novos nós com a rede.

Maior capacidade dos blocos e novas regras para o gas

O gas é a unidade com que se mede o trabalho computacional na Ethereum, e o gas limit determina quanto desse trabalho cabe num único bloco.

A Ethereum Foundation definiu um objetivo de 200 milhões de gas por bloco após a Glamsterdam. Na Sepolia, os validadores podem optar por blocos de até 200 milhões de gas, mais do triplo dos 60 milhões anteriores nessa rede. Trata-se de um objetivo de teste e não de um valor definitivo.

O gas limit definitivo para a mainnet só será fixado depois dos testes. Paralelamente, várias EIP alteram o custo em gas das operações para que reflita melhor a carga real sobre a rede, sobretudo na criação e na leitura de dados de estado (state). O objetivo é evitar um crescimento demasiado rápido do estado da rede quando os blocos se tornarem maiores.

Uma maior capacidade dos blocos pode traduzir-se em comissões mais baixas em períodos de elevada procura, mas o efeito concreto nas comissões dependerá do gas limit que vier a ser aplicado na mainnet.

O que significa a Glamsterdam para quem detém ETH

Quem detém ETH não precisa de fazer nada. A atualização é realizada pelos operadores de nós e pelos validadores, que têm de atualizar o software tanto da camada de execução como da camada de consenso. Os teus ETH permanecem no mesmo endereço e não sofrem qualquer alteração.

O teste na Sepolia não afeta a mainnet. Os tokens das testnets não têm qualquer valor real e servem exclusivamente para os programadores testarem as alterações.

Precisamente porque a atualização não exige qualquer ação por parte dos utilizadores, desconfia de mensagens que afirmem o contrário. As grandes atualizações atraem frequentemente burlões: se alguém te pedir para «atualizar», «migrar» ou «trocar» os teus ETH por causa da Glamsterdam, trata-se de uma burla. Nunca partilhes a tua frase de recuperação (seed phrase) nem envies criptoativos para endereços que alguém te proponha a pretexto da atualização.

Não é possível prever o efeito que a Glamsterdam terá no preço da ETH. As melhorias técnicas não garantem uma alteração do preço, que depende de inúmeros fatores de mercado.

Quando chega a Glamsterdam à mainnet?

A data exata de ativação na mainnet ainda não foi anunciada. A Ethereum.org indica atualmente o quarto trimestre de 2026, com a ressalva de que a data não está confirmada. Alguns meios de comunicação referem outubro, mas, até ao momento, não há confirmação oficial.

O caminho até à mainnet é o seguinte:

  1. O objetivo inicial era junho de 2026, mas o lançamento foi adiado para dar às equipas de desenvolvimento mais tempo para os testes.
  2. Em agosto de 2026, foi lançada a Platåberget, uma testnet pública temporária destinada aos primeiros testes da Glamsterdam.
  3. Em outubro de 2026, a Glamsterdam foi ativada na testnet Sepolia.
  4. Se o teste na Sepolia correr como previsto, o passo seguinte será a testnet Hoodi. A sua data ainda não foi definida.
  5. Os programadores só anunciarão a data para a mainnet depois de os testes serem bem-sucedidos.

Paralelamente aos testes, a Ethereum Foundation alargou o seu programa de bug bounty às especificações e EIP da Glamsterdam. Depois da Glamsterdam, a próxima atualização prevista é a Hegotá, planeada para 2027.

A Glamsterdam é uma das atualizações mais abrangentes da Ethereum desde a transição para proof-of-stake. O ePBS integrado no protocolo, o processamento paralelo de transações e a maior capacidade dos blocos deverão permitir que a camada 1 processe mais transações sem comprometer a segurança nem a descentralização. O teste na Sepolia é apenas um dos passos até à mainnet.

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Klara Šunjić

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