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O que são as plataformas de crypto lending?

28/10/2026 11:19

O que são as plataformas de crypto lending?

As plataformas de crypto lending permitem pedir emprestadas criptomoedas mediante um colateral ou obter rendimento emprestando os seus fundos. Explicamos a diferença entre os modelos CeFi e DeFi, de onde vem o rendimento e quais são os principais riscos.

O que é o crypto lending?

O crypto lending (empréstimo de criptomoedas) é um serviço em que alguns utilizadores emprestam os seus criptoativos, enquanto outros os pedem emprestados mediante uma garantia (colateral) e o pagamento de juros.

O intermediário é a plataforma: uma empresa centralizada ou um protocolo descentralizado que funciona através de contratos inteligentes (smart contracts).

O modelo faz lembrar a banca tradicional, mas com algumas diferenças importantes. O colateral é, na maioria dos casos, também uma criptomoeda, os processos são em grande parte automatizados e a proteção de que beneficiam os depósitos bancários, regra geral, não existe.

É precisamente por isso que é importante compreender como funcionam estas plataformas antes de lhes confiar os seus fundos.

Como funciona o empréstimo de criptomoedas

Numa plataforma de lending participam duas partes. Os credores depositam criptoativos (muitas vezes stablecoins como a USDC ou criptomoedas como o ETH) e recebem juros em troca. Os mutuários depositam um colateral e, com base nele, pedem emprestados outros ativos.

A maioria dos empréstimos cripto é sobrecolateralizada: o valor do colateral é superior ao valor do empréstimo. Esta relação exprime-se como LTV (loan-to-value). Por exemplo, com um colateral de 10 000 euros e um LTV de 50%, um utilizador pode pedir emprestado, no máximo, 5000 euros.

Porque é que alguém pediria um empréstimo com um colateral superior ao montante emprestado? Os motivos mais comuns são:

  • obter liquidez sem vender as criptomoedas que se pretende manter
  • financiar estratégias de trading, incluindo o recurso à alavancagem
  • gerir a liquidez de empresas e criadores de mercado (market makers)

Se o valor do colateral descer e o LTV ultrapassar o limiar de liquidação, a plataforma vende automaticamente parte ou a totalidade do colateral para cobrir o empréstimo. Falaremos mais sobre isso na secção dedicada aos riscos.

Plataformas de lending CeFi e DeFi

As plataformas de lending dividem-se em dois grandes grupos, e a diferença está em quem detém os fundos e quem toma as decisões.

Comparação entre plataformas de crypto lending CeFi e DeFi quanto ao controlo, à custódia dos fundos, ao acesso e aos principais riscos.

Entre os exemplos mais conhecidos de protocolos DeFi estão a Aave, a Compound e a Sky (anteriormente MakerDAO). Do lado CeFi, muitas plataformas encerraram a atividade depois de 2022, como veremos mais adiante.

Nenhum dos modelos está isento de riscos. A diferença está em quem merece a confiança do utilizador: uma empresa ou o código.

De onde vem o rendimento

O rendimento obtido pelo credor provém dos juros pagos pelos mutuários, deduzida a comissão da plataforma. Se a procura de empréstimos for baixa, o rendimento também será baixo.

Nos protocolos DeFi, a taxa de juro depende geralmente da taxa de utilização, ou seja, da proporção dos fundos depositados que está emprestada nesse momento. Quando a utilização é elevada, as taxas sobem para atrair novos credores e incentivar o reembolso dos empréstimos. É por isso que as taxas podem variar de hora para hora.

As plataformas CeFi, regra geral, definiam as suas próprias taxas e geravam parte do rendimento investindo os fundos dos utilizadores em estratégias próprias. Foi precisamente isso que, no passado, esteve na origem de problemas graves.

Uma regra útil: se o rendimento oferecido for muito superior ao do mercado, vale a pena perguntar de onde vem realmente e quem assume o risco.

Principais riscos

O crypto lending envolve vários tipos de risco que é importante distinguir.

Risco de liquidação

Em caso de queda acentuada do preço, o colateral pode ser vendido automaticamente e com uma comissão adicional, fazendo com que o mutuário perca parte dos seus fundos.

Risco de contraparte

Nas plataformas CeFi, o utilizador depende da solvência e da integridade da empresa que detém os seus fundos.

Risco dos contratos inteligentes

Um erro no código ou uma vulnerabilidade no oráculo (a fonte de preços) pode levar à perda de fundos num protocolo DeFi.

Risco de liquidez

Quando a maior parte dos fundos está emprestada, o credor pode não conseguir levantar os seus fundos de imediato.

Risco das stablecoins

Se uma stablecoin perder a paridade com o dólar ou o euro, altera-se o valor real tanto do empréstimo como do rendimento.

Lições de 2022

Ao longo de 2022, várias grandes plataformas de lending CeFi, entre elas a Celsius, a Voyager e a BlockFi, suspenderam os levantamentos e avançaram com processos de insolvência. No início de 2023, seguiu-se a Genesis. O denominador comum foi semelhante: os fundos dos utilizadores eram investidos em estratégias de risco ou emprestados sem garantias suficientes, e os utilizadores não tinham uma visão clara disso.

Estes acontecimentos mostraram que rendimentos elevados sem transparência podem esconder riscos significativos e aceleraram o debate regulatório na UE e não só.

O que verificar

Antes de depositar ou pedir emprestados criptoativos, vale a pena verificar alguns aspetos:

  • Quem detém os fundos? Nas plataformas CeFi, verifique se os fundos dos utilizadores são mantidos separados dos da empresa e se esta os pode voltar a emprestar.
  • A plataforma está autorizada? Verifique se o prestador do serviço dispõe de autorização para operar e junto de que autoridade de supervisão está registado.
  • Quais são o LTV e o limiar de liquidação? Saiba com antecedência a que preço o colateral será vendido e quais são as comissões de liquidação.
  • O código foi auditado? Nos protocolos DeFi, verifique se existem auditorias independentes aos contratos inteligentes e há quanto tempo o protocolo funciona sem incidentes.
  • De onde vem o rendimento? Se a plataforma não o explicar com clareza, isso já é, por si só, um sinal de alerta.
  • Com que rapidez pode levantar os seus fundos? Verifique se existem períodos de bloqueio ou limites de levantamento.

É igualmente aconselhável não aplicar no lending fundos cuja perda lhe seria difícil de suportar.

Conclusão

As plataformas de crypto lending oferecem duas ferramentas úteis: acesso a liquidez sem ter de vender as suas criptomoedas e a possibilidade de obter rendimento com fundos que, de outro modo, estariam parados. Ao mesmo tempo, envolvem riscos diferentes dos do investimento tradicional, desde a liquidação do colateral à insolvência da plataforma ou a um erro no código.

O quadro regulatório da UE ainda está em definição, pelo que, neste momento, é especialmente importante verificar por si próprio como funciona uma plataforma, quem detém os fundos e de onde vem o rendimento. Compreender estes conceitos básicos é o melhor ponto de partida para uma decisão informada.

Aviso: a Bitcoin Store não é uma empresa de consultoria financeira e não está autorizada a prestar aconselhamento financeiro ou em matéria de investimento. As opiniões, análises e demais conteúdos do nosso sítio web têm uma finalidade exclusivamente informativa e não devem ser considerados uma base para a tomada de decisões de investimento. A negociação de criptomoedas envolve especulação e os preços podem oscilar rapidamente, o que pode resultar na perda do capital investido. Antes de investir em criptomoedas, procure aconselhamento independente e certifique-se de que compreende bem os riscos associados a este tipo de instrumento financeiro.

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Klara Šunjić

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