Os institucionais compram Bitcoin nas quedas – eis o que podemos aprender com eles
Cada queda do Bitcoin traz o mesmo: pânico, títulos alarmistas e uma vaga de vendas. Mas nos bastidores, os investidores institucionais fazem sistematicamente o contrário. Descobre porquê – e como podes aplicar a mesma abordagem.
Índice:
- Mas afinal, quem são os investidores institucionais?
- Exemplos concretos – quando as instituições compravam enquanto todos fugiam
- Porque é que compram durante as quedas?
- A psicologia que nos custa dinheiro
- «O Bitcoin está morto» – uma história que se repete
- As instituições não são infalíveis
- O que pode o pequeno investidor aprender com eles?
- Cabeça fria num mercado a ferver
Cada vez que o preço do Bitcoin cai, as redes sociais enchem-se de comentários de pânico. «O Bitcoin acabou.» «A bolha rebentou.» «Já vos disse que era uma fraude.» Mas enquanto os pequenos investidores vendem com medo, um grupo está silenciosamente a fazer o oposto – a comprar.
Os investidores institucionais – hedge funds, empresas, fundos de pensões e emitentes de ETF – há anos que nos enviam o mesmo sinal. E talvez já seja mesmo altura de começarmos a ouvi-los.
Mas afinal, quem são os investidores institucionais?
Trata-se de entidades que gerem grandes quantidades de dinheiro em nome de clientes ou acionistas. Pense-se em empresas como a MicroStrategy, a BlackRock, a Fidelity, ou nos fundos soberanos que cada vez mais diversificam uma parte da sua carteira em ativos digitais.
Ao contrário do investidor médio, que reage às notícias e às emoções, as instituições dispõem de analistas, equipas jurídicas e estratégias a longo prazo. Não tomam decisões de forma impulsiva.
Exemplos concretos – quando as instituições compravam enquanto todos fugiam
A história da acumulação institucional não é abstrata – tem rosto, data e número.
A MicroStrategy é talvez o exemplo mais marcante. A empresa fundada por Michael Saylor começou a comprar Bitcoin em 2020, em plena incerteza pandémica. Desde então nunca parou – nem mesmo durante os períodos de grandes correções.
A BlackRock lançou o seu ETF de Bitcoin spot no início de 2024 e, de acordo com os dados publicamente disponíveis, tornou-se num dos ETF de crescimento mais rápido da história em termos de afluxo de capital nas primeiras semanas.
A Fidelity, a ARK Invest, a VanEck – instituições que não só entraram no mercado, como aumentaram sistematicamente as suas posições durante as correções, tal como se pode verificar nos seus relatórios públicos e comunicações à SEC.
Porque é que compram durante as quedas?
1. Pensam em anos, não em dias
As instituições não se preocupam com o que o Bitcoin está a fazer esta semana. Olham para onde estará daqui a três, cinco ou dez anos. A volatilidade a curto prazo é, para elas, simplesmente uma oportunidade de compra.
2. Entendem a diferença entre preço e valor
O preço é o que pagas. O valor é o que obténs. Quando o preço desce mas os fundamentos não mudaram – oferta limitada, adoção crescente, descentralização – o valor mantém-se igual ou aumenta. As instituições sabem-no.
3. Têm a disciplina que muitos não têm
O medo e a ganância são os conselheiros mais caros em matéria de investimento. As instituições têm protocolos claros: quando o preço desce X por cento, alocam Y por cento da carteira. Sem emoções. Sem hesitações.
4. Estão informadas sobre o contexto macroeconómico
Inflação, desvalorização das moedas fiat, instabilidade geopolítica – tudo isto diz às instituições que mantenham Bitcoin como proteção face a um sistema em que confiam cada vez menos.
A psicologia que nos custa dinheiro
Porque é que os pequenos investidores reagem de forma completamente oposta às instituições? A resposta não está no conhecimento – está na psicologia.
O FOMO (fear of missing out) leva-nos a comprar quando o preço sobe e toda a gente fala de Bitcoin. É precisamente nessa altura – no pico – que entra no mercado o maior número de novos investidores. E é precisamente nessa altura que as instituições costumam começar a realizar lucros.
A loss aversion (aversão à perda) é um fenómeno psicológico descrito pelo prémio Nobel Daniel Kahneman: sentimos a dor de uma perda aproximadamente duas vezes mais intensamente do que o prazer de um ganho equivalente. Quando a carteira cai 30%, o cérebro ativa a mesma zona que quando se sente dor física. Vender nesse momento não é uma decisão racional – é um reflexo.
O herd mentality (comportamento de manada) leva-nos a seguir a massa. Quando todos vendem, vendemos. Quando todos compram, compramos. O problema é que a massa chega quase sempre tarde – tanto na subida como na descida.
As instituições não são imunes a estes fenómenos, mas dispõem de sistemas para os limitar. Nós estamos, na prática, entregues a nós próprios.
«O Bitcoin está morto» – uma história que se repete
Sabias que o Bitcoin já foi declarado morto mais de 400 vezes? Existe mesmo um site que regista cada título deste género nos meios de comunicação.
Vejamos alguns momentos-chave:
2018 – O grande crash após o ATH
Depois de ter atingido um recorde de quase 20.000 dólares no final de 2017, o Bitcoin caiu para cerca de 3.200 dólares até ao final de 2018. Os meios de comunicação celebraram o fim das criptomoedas. Quem comprou nos mínimos encontrava-se com ganhos superiores a 1.800% em 2021.
Março de 2020 – A queda livre pandémica
Em apenas alguns dias, o Bitcoin passou de cerca de 9.000 para menos de 4.000 dólares. O pânico de venda em plena ação. Contudo, até ao final desse mesmo ano, tinha atingido um novo recorde acima dos 29.000 dólares.
2022 – O ano que muitos gostariam de esquecer
O colapso do ecossistema Luna/Terra, a falência da FTX, a incerteza regulatória. O Bitcoin caiu abaixo dos 16.000 dólares. Os investidores institucionais estavam a acumular em silêncio. Um ano depois, o preço tinha triplicado.
A mesma história, sempre. As mesmas emoções, sempre. E sempre – os mesmos vencedores.
As instituições não são infalíveis
Seria desonesto não dizê-lo: os investidores institucionais cometem erros. E erros caros.
Muitos hedge funds que entraram no mercado cripto no pico de 2021 sofreram perdas significativas. Algumas instituições não anteciparam o colapso da FTX nem do ecossistema Luna/Terra, que apagaram dezenas de milhares de milhões de dólares em valor.
Além disso, o capital institucional pode ele próprio desencadear volatilidade – quando os grandes players decidem sair, o mercado sente-o.
Portanto, acompanhar os movimentos institucionais faz sentido – mas copiar cegamente as suas decisões já não. Eles dispõem de capacidades de diversificação, liquidez e tolerância ao risco que o investidor médio simplesmente não tem.
A sabedoria não está em fazer o que eles fazem. A sabedoria está em perceber porquê o fazem – e depois tomar as suas próprias decisões informadas.
O que pode o pequeno investidor aprender com eles?
Tem um plano antes de o preço cair
A decisão de comprar não se toma num momento de pânico – toma-se com antecedência. Define as tuas próprias regras: «Se o Bitcoin cair 20%, compro.» E cumpre-as.
Pensa em horizontes temporais
Não te perguntes «Onde estará o preço amanhã?» mas sim «Onde estará daqui a cinco anos e porquê?» Se a tua resposta for convincente, as quedas a curto prazo tornam-se irrelevantes.
Não verifiques a tua carteira todos os dias
Parece simples, mas é talvez o mais difícil. Verificar os preços diariamente gera ansiedade e más decisões. As instituições não acompanham cada movimento segundo a segundo – têm uma estratégia e cumprem-na.
Diversifica, mas não diluas a ideia
As instituições não põem tudo em Bitcoin, mas também não o abandonam após uma má semana. Encontra um equilíbrio que faça sentido para os teus objetivos financeiros.
Aprende a ler os dados on-chain
Quando as instituições estão a acumular, vê-se. Ferramentas como o Glassnode ou o CryptoQuant mostram quando o Bitcoin se move das exchanges para as cold wallets – um sinal clássico de detenção a longo prazo.
Cabeça fria num mercado a ferver
Os investidores institucionais não são infalíveis. Mas têm uma qualidade que merece ser admirada: a sangue-frio nos momentos em que todos os outros perdem a cabeça.
Da próxima vez que vires títulos alarmistas, pergunta a ti próprio: o que estão a fazer neste momento as pessoas que gerem milhares de milhões de euros? Provavelmente não estão a vender.
A diferença entre os investidores que ganham e os que perdem raramente depende de quem tem melhor informação. Mais frequentemente depende de quem tem os nervos mais firmes – ou pelo menos um plano melhor.
E talvez isso, por si só, seja uma resposta suficiente.
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